Você é medíocre e nem desconfia…

Dá uma olhada ao seu redor antes de sair para comer água. 

O que você vê ali, entre uma barba rala e um olhar de quem já desistiu da vida aos vinte e poucos, é o retrato exato do atraso da juventude baiana. 

A Bacia do Rio Corrente virou um grande depósito de gente que se orgulha de não ter chegado a lugar nenhum. É uma geração inteira que parou de tentar antes mesmo de começar, e o pior é que vocês acham isso bonito. Chamam de “Um estilo de vida humilde”.

O conhecimento está escancarado. Qualquer um com um celular fuleiro na mão consegue aprender o que quiser, trabalhar para onde quiser, sair dessa lama intelectual sem pedir licença. Só que dá trabalho, né? E trabalho é a última coisa que passa pela cabeça de quem prefere o conforto de uma vida sem perspectivas, fingindo que isso faz parte de um plano maior. 

Mentira. 

É medo. É preguiça pura embrulhada em comodidade.

O sonho máximo dessa gente é uma moto toda ilegal por 3 ou 5 mil reais e um fim de semana garantido com som alto e cerveja quente. 

Ter ambição virou motivo de piada. 

Se alguém fala em planejamento ou em construir algum projeto sério, logo aparece um piadista para dizer que você é doido. O futuro virou um estorvo, uma conversa chata que ninguém quer ter porque obriga a encarar o vazio que eles chamam de vida.

As cidades estão apodrecendo. O lixo na rua, a falta de água, a política de quinta categoria… nada disso parece ser problema de quem vive nelas. São jovens claro que eles iriam preferir focar em volta do carrinho com som cuspindo indignação barata, achando que reclamar do prefeito entre um gole e outro vai melhorar a saúde ou criar horizonte para alguém. 

É patético. 

Uma massa de gente treinada para esperar. 

Esperar o auxílio, esperar a sorte, esperar que alguém venha e resolva a bagunça que vocês mesmos alimentam com esse silêncio típico de cúmplice.

E os pais são os primeiros a cavar o buraco. Criam os filhos como se fossem porcelana, confundindo proteção com castração. Querem o filho tranquilo, o filho que não se arrisca, o filho que se contenta com o mínimo. 

Se o jovem tenta estudar mais ou trabalhar além da conta, vira o esquisito da família. 

O legal é o que se encosta, o que “sabe viver”, o que não se estressa com nada enquanto a vida passa e cobra juros que eles nunca vão conseguir pagar.

Essa rede de proteção que o governo e a família dão virou uma jaula. 

O mínimo que eles recebem virou o teto de onde ninguém quer sair. Trabalhar duro agora é coisa de otário. Evoluir é exagero. Inteligente mesmo é quem fica parado, vivendo de migalha e chamando isso de liberdade.

Não tem nada de humilde em ter uma mente pobre. Não tem nada de nobre em não ter projeto de vida. 

Eles estão morrendo por dentro e acham que estão vivendo porque o sol brilha e a bebida está gelada. 

Acorda!

O tempo não perdoa quem escolhe ser pequeno. Se a carapuça serviu você é medíocre e está afundando no próprio buraco e o mais deprimente ainda é ver que eles no final vão sorrir para a foto que vai parar no instagram.

Se a carapuça não serviu pra você, o que está fazendo para mudar essa realidade? Ou vai ser apenas mais um cúmplice que se acha diferente dos demais?

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