A Foto com o Deputado: A Engenharia da Ilusão em ano Eleitoral

O ano eleitoral é engraçado. De repente, o feed do Instagram fica agitado.

O vereador, que antes ficava correndo do povo, brota do nada sorrindo ao lado de um deputado.

A legenda é quase sempre a mesma: “Buscando melhorias”, “Recursos para o esporte”, “Trabalho que não para”. 

Aquele que silenciou sobre a falta de água ou as ruas mal iluminadas agora se projeta como um político trabalhador.

Mas ao lado de quem? De um deputado que, até então, demonstrava nenhum interesse pelo município. 

São figuras que só se lembram da cidade em ano eleitoral.

Essa aparição tenta te enganar como ato de serviço público.  Só que na verdade é apenas fruto de uma negociação. O voto do cidadão é a moeda, e a base eleitoral do vereador é o produto que ele precisa entregar. 

Em troca, recebe dinheiro ou duas bolas e meia dúzia de uniformes falsificados.

O deputado tira a foto, simula interesse e desaparece assim que surge o resultado das urnas. 

Nos quatro anos seguintes, o que resta é o silêncio. Os moradores, por sua vez, continuam a lidar com os mesmos problemas de sempre: a saúde precária, as praças abandonadas e estradas boas em atolar.

O que é vendido como um esforço do vereador é, na verdade, a venda de sua influência. Ele não está trazendo recursos para a cidade; está negociando sua capacidade de mobilizar votos. 

O deputado, por sua vez, libera uma fração do que poderia, uma valor que não resolve problema estrutural algum, mas que serve como peça de propaganda, um recibo para dizer que trabalha e o eleitor, com a memória curta, muitas vezes valida essa encenação com aquele like despretensioso.

É aqui que a engrenagem da corrupção começa a girar. Esse dinheiro, ao chegar, torna-se o capital político e financeiro do vereador e seu grupo.

O dinheiro destinado a comprar bolas, chuteiras ou reformar quadras e campos é desviado através de um esquema recorrente. 

Associações de amigos, rurais ou de fomento ao esporte, muitas vezes criadas ou controladas pelo próprio vereador, são formalizadas para receber legalmente as emendas parlamentares. 

O esporte, com seu forte apelo emocional e capacidade de reunir pessoas, torna-se o disfarce perfeito para a lavagem de dinheiro.

O serviço é executado pela metade, com material de baixa qualidade e preço superfaturado.

O restante do dinheiro? Evapora.

É direcionado para o bolso de quem deveria fiscalizar e trabalhar pelo município. 

A cada obra mal feita, a cada projeto que só existe no papel, o patrimônio do vereador cresce e ele usa todo esse dinheiro para pagar dívidas de campanha e comprar mais votos no futuro.

A emenda parlamentar, que deveria ser um instrumento de desenvolvimento, torna-se o mecanismo para legalizar o desvio de dinheiro público, enquanto o eleitor compartilhou a foto do seu vereador com o deputado nos storys.

É um ciclo vicioso. O vereador finge que se importa com o povo, o deputado finge que ajuda, e a cidade afunda nos problemas que eles mesmos criaram.

A promessa de um futuro melhor não passa de uma legenda para gerar engajamento nas redes sociais. 

Quando as urnas se fecham, a farsa termina.

A conta, como sempre, fica para o cidadão.

Da próxima vez que você ver a foto de um vereador apertando a mão de um deputado, analise a cena com inteligência.

É a velha política de sempre se rearticulando através dos vereadores que se elegeram prometendo defender a juventude.

E o eleitor que não questiona, que não enxerga a lógica por trás da imagem, mais uma vez, é feito de otário. 

Não se iluda! Com vereadores incompetentes que só aparecem em ano de eleição.

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